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Candidatos ao "Conselho da Paz" de Trump devem pagar mil milhões de dólares

Candidatos ao "Conselho da Paz" de Trump devem pagar mil milhões de dólares

Os países que solicitarem um lugar permanente no "Conselho da Paz", proposto e presidido por Donald Trump, que se autoproclamou com a missão de "promover a estabilidade" no mundo, terão de pagar "mais de mil milhões de dólares em dinheiro", segundo a "carta" obtida pela AFP esta segunda-feira.

Cristina Sambado - RTP /
Evelyn Hockstein - Reuters

O organismo foi inicialmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas a "carta" não menciona explicitamente o território palestiniano e atribui-lhe o objetivo mais vasto de contribuir para a resolução de conflitos armados em todo o mundo.

"O Conselho da Paz é uma organização internacional que visa promover a estabilidade, restaurar uma governação fiável e legítima e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos", refere o preâmbulo do documento enviado aos países convidados a participar.

O documento de oito páginas critica imediatamente "abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência", numa clara alusão às Nações Unidas, e pede "coragem" para "romper" com elas.

O texto sublinha ainda "a necessidade de uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz".

Donald Trump sempre foi um crítico acérrimo das Nações Unidas. Lançou um ataque frontal à organização, que, segundo ele, estava "longe de realizar o seu potencial", durante a última Assembleia Geral em Nova Iorque, em setembro.

A 7 de janeiro, assinou uma ordem executiva que determina a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais que "já não servem os interesses americanos", segundo a Casa Branca. Cerca de trinta dos alvos de Washington estão ligados à ONU.

Tal como durante o seu primeiro mandato, decidiu retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), da qual os EUA tinham regressado sob o governo do presidente Joe Biden.


Retirou também os EUA da Organização Mundial de Saúde e o seu governo cortou significativamente a ajuda americana ao exterior, reduzindo drasticamente os orçamentos de várias organizações, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Programa Alimentar Mundial (PAM)Putin, Milei e Orbán convidados

Donald Trump será o "primeiro presidente do Conselho da Paz", cujos poderes são muito amplos, de acordo com a "carta" obtida pela AFP.

Só o presidente dos EUA está autorizado a "convidar" outros chefes de Estado e de Governo para integrarem o conselho, podendo revogar a sua participação, exceto em caso de "veto por dois terços dos Estados-membros", e tem o direito de voto em todas as votações.

"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de, no máximo, três anos a partir da entrada em vigor da presente carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplica aos Estados-membros que contribuam com mais de mil milhões de dólares em dinheiro para o Conselho da Paz durante o primeiro ano após a entrada em vigor da Carta", acrescenta o projeto, sem mais pormenores.

Vários países e líderes anunciaram que foram convidados a juntar-se ao "Conselho" do presidente dos EUA, sem necessariamente revelarem se pretendem aceitar ou recusar.

Entre eles, a França que reiterou esta segunda-feira o seu "compromisso com a Carta das Nações Unidas", que Paris considera "a pedra angular do multilateralismo eficaz".

O Kremlin indicou que o presidente russo, Vladimir Putin, "recebeu um convite" através de "canais diplomáticos".

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos jornalistas na segunda-feira que a Rússia procurava “esclarecer todas as nuances” da oferta com Washington, antes de dar a sua resposta.

Outros líderes estrangeiros, incluindo o presidente argentino, Javier Milei, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ambos próximos de Trump, também anunciaram que foram convidados.

Também Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia, e o seu homólogo polaco Karol Nawrocki foram convidados por Donald Trump.


As primeiras nomeações para o conselho, anunciadas na sexta-feira, incluíram o próprio Trump como presidente; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; o atual secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; o enviado de Trump para a resolução de conflitos, o empresário do ramo imobiliário Steve Witkoff; o genro do presidente, Jared Kushner; e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.

As cartas-convite incluíam uma espécie de "carta" afirmando que o conselho procuraria "consolidar a paz no Médio Oriente" e, ao mesmo tempo, "adotar uma nova abordagem ousada para a resolução de conflitos globais".

Paris confirma convite e reafirma compromisso com a ONU
A França, que ocupa um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, reafirmou esta segunda-feira o seu "compromisso com a Carta da ONU", após um convite dos Estados Unidos para integrar o "Conselho da Paz", segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"Tal como vários outros Estados, a França foi convidada pelos Estados Unidos a integrar o 'Conselho da Paz'. Em conjunto com os nossos parceiros próximos, estamos a examinar as disposições do texto proposto como base para este novo órgão, cujo âmbito vai para além da situação em Gaza".

"Reiteramos também o nosso compromisso com a Carta das Nações Unidas. Esta continua a ser a pedra basilar do multilateralismo eficaz, onde o direito internacional, a igualdade soberana dos Estados e a resolução pacífica de litígios prevalecem sobre a arbitrariedade, as relações de poder e a guerra", acrescentou o Ministério.

c/ agências 
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